quarta-feira, 21 de março de 2018

Basta!



Ah e tal... isso de não dar açúcar aos bebés é "esquisitice", "moda", "exagero", "extremismo"... ou não, ou não...

Os primeiros mil dias do bebé (desde a fecundação até o segundo aniversário) são um período crítico e decisivo para o seu desenvolvimento e irão ter impacto directo na sua infância e idade adulta. A maior parte do desenvolvimento cerebral acontece nesta fase e o corpo precisa de macro e micronutrientes adequados para que isto ocorra da melhor forma possível. Dai eu enfatizar tantas vezes a importância de uma boa alimentação durante a gestação e o peso que a amamentação em exclusivo até aos 6 meses (e em modo complementar pelo menos até aos 2 anos) tem para a saúde da criança, bem como, obviamente, os alimentos que são dados ao bebé.

Grande parte dos hábitos alimentares consolidam-se até perto dos 3 anos. É uma fase de descoberta de sabores e texturas. Oferecer açúcar não só vai camuflar o real sabor dos alimentos, como vai sabotar o processo de introdução alimentar e tirar o interesse do bebé por alimentos saudáveis.



É importante ter noção que o consumo regular de açúcar, em excesso, compromete gravemente a sua saúde. Os hidratos de carbono simples, como os açúcares, transformam-se rapidamente em glicose, o que pode, no futuro, dar origem a inúmeros problemas de saúde, como obesidade, "fígado gordo" e diabetes tipo 2.

Além disso, o excesso de açúcar, compromete, também o sistema imunitário, ao diminuir a capacidade do organismo de resistir a doenças infecciosas e pode causar reacções alérgicas, como sinusite, eczema e asma, afectar a visão, os ossos e dentes (cáries), a pele e o sono. Pode desencadear o aparecimento de doenças autoimunes e doenças cardíacas. Está, até, associado ao eventual aparecimento de células cancerígenas. O seu consumo provoca variações de açúcar no sangue, o que influencia os níveis de cálcio e fósforo e VICIA a criança.



Iogurtes, papas, bolachinhas e muitos outros ditos "saudáveis" e supostamente criados especialmente para as crianças, têm, quase todos, quantidades absurdas de açúcar (com esse ou outro nome), não são criados com o objectivo de nutrir mas sim de viciar!
Ah e cuidado com receitas ditas "saudáveis" para bebés, em que o açúcar é simplesmente substituído por mel, xarope de coco, xarope de arroz, agave, açucar de coco, etc etc... tudos eles são AÇUCAR e muitas das receitas para bebés que se encontram por ai têm-no e em excesso, sendo por isso, tudo menos "saudáveis".



Lembre-se: Ninguém sente falta de algo que nunca provou! A "necessidade" de adoçar a comida do bebé existe apenas na cabeça dos adultos. Dê comida "de verdade", sem rótulos, é tudo o que é preciso! Se quiser fazer um bolo, ou bolachas, utilize uma peça de fruta ou coloque uma tâmara ou duas, por exemplo, mas não mais do que isso, e mais importante ainda, não os ofereça de forma regular à criança.

Sim, as adaptações caseiras são melhores que qualquer produto processado, pois são isentas de aditivos, gorduras hidrogenadas e companhia mas se se limitarem a trocar o açúcar refinado por igual quantidade de açúcar "saudável" (não existe açúcar saudável estou a ser irónica), continuam simplesmente a entupir os bebés e crianças de açúcar e a criar pequenos grandes viciados em doces.

É fácil irmos atrás desta tendência, eu própria em tempos achei esta barbarie normal, mas na verdade, se pararmos para pensar, não faz sentido, é aberrante! Ter conhecimentos de todos estes malefícios e continuar a permitir o seu consumo diariamente, é para mim, criminoso! É jogar de forma leviana com a saúde daqueles que são o que de mais importante temos e que devíamos proteger acima de tudo e todos!


  
Há pouco tempo atrás, disseram-me que lutar contra o açúcar era uma luta vã, que a sociedade está formatada para dele depender e tentar ir contra isso é pura perda de tempo. Confesso que aquelas palavras, ditas por alguém que muito admiro, tocaram-me cá dentro de tal forma que me deixaram num estado quase depressivo. Será mesmo uma utopia achar que é possível mudar comportamentos, achar que é possível lutar pela saúde das nossas crianças e pelo DIREITO a uma alimentação saudável? Por alguns momentos, tive vontade de baixar os braços, mas bastou-me olhar para o meu filho, para saber que esse não é o caminho.


É urgente e imperativo divulgar os malefícios do açúcar de forma clara, sem receios de ir contra a industria, educar as famílias, os professores e as próprias crianças, criar estratégias que efectivamente surtam efeito! Ensinar, nas escolas, a ler rótulos, explicar os malefícios de muitos dos ingrediente que compõem os produtos processados presentes na maioria das nossas casas, incentivar ao consumo de alimentos "de verdade" e a uma alimentação saudável, promover o aleitamento materno e deixar de suplementar os bebés de forma indevida, incentivar a prática de exercício físico e...humpf... há tanto que pode ser feito, tanto que pode mudar. Sinto que tenho, que devo, que PRECISO, fazer algo! Tu não?!





Ps: sim... era apenas um texto sobre os motivos pelos quais não devemos dar açúcar a bebés e sim, acabou por se tornar numa enorme bola de neve, quase que num de grito de revolta, esta minha cabeça vive num constante turbilhão de emoções e ideias, é mais forte do que eu...




Fontes: 
https://www.ucsf.edu/news/2015/10/136676/obese-childrens-health-rapidly-improves-sugar-reduction-unrelated-calories
http://visao.sapo.pt/actualidade/sociedade/2015-04-03-O-acucar-e-o-maior-veneno-que-damos-as-criancas
http://www.advanceclinics.pt/criancasacucarmedicamentos/
https://edition.cnn.com/2015/11/03/health/gupta-sugar-study-kids/index.html
http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/oby.21371/abstract
http://time.com/4087775/sugar-is-definitely-toxic-a-new-study-says/



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